13 fevereiro, 2009


O que não muda? Meu pau indo e vindo dentro da boceta dela. Dentro de qualquer ela. Penso: pensar em futuro é utopia. O mundo até pode estar acabando. Mas continuo achando um grande barato regar minhas plantas, olhar meu beija flor passear no quintal. Sei não do ano que vem. Sei não da semana que vem. Sei não de amanhã. Sei da cerveja gelada que molha minha boca enquanto sonho. Sei do som da guitarra que toca só no meu ouvido da memória. Sei do riso da mulher que amo, que amei um dia, que amarei um dia, ou não. Sei que saberei do gosto do seu gozo em minha boca. Quando acordo sou o cara que olha, e se olhar direito, vejo. Ou não. ou nunca verei, ou quem sabe – só quem sabe - sou um colecionador de detalhes que mudam. Não mudando.

5 comentários:

Domingos Barroso disse...

A metafísica do coito.
A corpórea lembrança da alma.
Os olhos atentos,
fálico instante de percepção.
Um forte abraço,
meu camarada.

fabiana disse...

Bom demais!
É isso aí. Nem interessa saber de amanhã - a gente nunca acerta as previsões mesmo. Prefiro essas delícias que vc citou.

Gabriela. disse...

Se olharmos friamente o sexo, é uma coisa tão ridícula né? simples, primitiva.

Nada mais que um pau e uma boceta. Bem isso mesmo de só entrando e saindo.

Como eu adoro sofrer de véspera, vivo morrendo de medo do dia em que isso começar a perder a graça pra mim!

lupeu lacerda disse...

domingos sávio, você saca né? nada de "esporrante", só aquilo de fotografar um instante. um abraço cumpadi.

fabiana, que bom que você gostou. a vera? foi quase confessionário. ou confessional. acho que sou isso mesmo: um colecionador de detalhes.
beijo.

gabi: simples? é vero. primitivo? sem dúvida. mas, "não tem parque de diversão melhor". é ou não? nós, os CORPÓREOS, TÁCTEIS & outras cozitas, nunca enjoaremos disso. pode crer.
te amo.

Iza disse...

beija-flor, de novo!