06 maio, 2010


A fera sempre rondará o cheiro dos meus passos trôpegos na madrugada. A fera. A ferocidade intacta da feroz cidade. A fera sabe da minha paixão por telenovelas, dos meus ouvidos moucos, dos meus comprimidos de acabar com a dor num instante. A fera. Quando olho pra cima, lá está: lambendo a pata em cima do muro da casa velha. A fera recita um verso de um cantor que não conheço e a tempestade se instala.

3 comentários:

Gustavo Rios disse...

É sempre bom perder a pressa. Da escrita e da morte. Por isso, mesmo quando demora, volta mais certeiro. E a fera permanece, a tempestade se instala. E continuamos a resistir do nosso jeito.

lupeu lacerda disse...

É SEMPRE BOM TE SABER PERTO. QUERO PASSAR UNS DIAS AÍ, NA SOTERÓPOLIS. TE LIGO DAQUI UNS DIAS.
HASTA SIEMPRE

Gustavo Rios disse...

Meu velho, venha qualquer dia que queira. Traga uns poemas do Leminsky, um por-do-sol bacana, dezenas de piadas estúpidas, alguns frascos de Epocler, cigarros e aqueles óculos amarelos bacanas.