31 janeiro, 2009


Eu sempre bebo a dose de veneno que mata.
E não morro.
Eu sempre conto o fatal antes da notícia.
E ela sempre me desmente.
Quando chove derrubo prédios.
Quando seca mato vacas e gente.
Se acender um fósforo conto de bombas.
Mas solto os cadarços.
Mas sei dos sinais do semáforo.
E não adivinho.
Hesito olhando a faca da manteiga.
Hesito olhando a manteiga.
Hesito.
Depois decido beber de novo o veneno.
Dose letal.
E continuo vivo.

5 comentários:

Ricardo Thadeu disse...

A faca da manteiga é cega,
talvez por isso a morte não venha depois do veneno.


hasta, man

fabiana disse...

"Mas solto os cadarços"...
Não hesite - beba.
show.

Marcos Vinícius Leonel disse...

The Lupas em pleno verão de cegos!

Abraços, poeta das vias urbanas.

lupeu lacerda disse...

ricardo: absolutamente certo. providenciarei faca de açougueiro.

fabiana, valeu. mas não beba! meus venenos são perigosos, meus cadarços então... valha-me deus.

marcos leonel, meu amigo, escritor ducaralho! bom lhe saber no balcão do séquiço.

Thiago Assis disse...

esse não morre tão cedo...