28 janeiro, 2008


Nirineu era o poeta do prédio. Falava difícil. Lia a seleções todos os meses. Tinha como hobby conhecido colecionar palavras. Decorava-as. Estudava seus significados e significantes. Com seus achados escrevia coisas. Determinava outras. Nomeava passantes e passarinhos. Pouco falava. Quando assim fazia, era pra dizer: leiam-me! Nirineu tinha um outro hobby: colecionava pentelhos de gente morta. Entrava no necrotério de madrugada com sua pequena tesoura e fazia sua colheita. Alfredinho, filho de Juvenal da farmácia foi quem descobriu o segredo de nirineu. Por acaso olhou pela sua janela e o viu catalogando pentelhos. Cor. Textura. A quem pertenciam. Contou no bar. E a noite, quando nirineu adentrou o recinto, todos os freqüentadores levantaram, enfiaram as mãos dentro das calças e arrancaram chumaços de pentelho. Foi uma chuva torrencial de pelos pubianos em cima de nirineu. Nirineu enlouqueceu. Dizem que ataca pessoas na rua. Recita um poema. Arranca pentelhos das vítimas e se justifica: - é pra fazer uma corda, pra me levar pro céu.

2 comentários:

SANDRO ORNELLAS disse...

Voltou a escrever aqui, velho Lupeu? Esse Nirineu tá massa! Quem não conhece algum cabra assim: com alguma mania macabra que enlouquece e vira um daqueles loucos clássicos (e cultos) de rua?
Abraços a todos irrestritamente!
E saudades!

Gustavo Rios disse...

dei o toque lá no cariricult. sua volta é bem vinda.