17 março, 2009


Existe sim uma ilusão de ser feliz. Mas não sei quem sabe fazer isso a ponto de ensinar. Olho pra trás e vejo o menino com o copo de danone cheio de cola. Depois ri. Rio também. Acho que ele não me vê. Acho que não o vejo se olhar direito. Tenho um relógio no pulso. Isso significa que tenho horários a cumprir. Metas. Subo as escadas apressado. Por um instante me deu vontade de descalçar os sapatos. Sentar do lado do menino. Cheirar um pouco de cola também. Rir. Assim como se rir fosse a coisa mais importante a se fazer nesse dia de sol tão absolutamente filho da puta.

4 comentários:

Chagas disse...

Cara, no centro de São Paulo, Praça da Sé, entorno da R. Santa Efigênia, meninos como esse são vistos dormindo nas calçadas em pleno meio dia.

As pessoas passam por cima ou de lado como se não os vissem. Completamente anestesiadas, não por cola, mas pela indiferença.

Esses meninos estão espalhados em todo lugar, não têm voz. Felizmente, existem poetas que os vêem e lhes empresta a própria voz.

Felizmente.

Lú Farias disse...

rir mesmo sem querer,
e mesmo sem querer todos fazem isso.
é quase que uma obrigação, caro poeta, diria até que é uma imposição, imposta por nós mesmos.

Ricardo Thadeu disse...

Dividir o sofrimento é foda. Mas dividir o riso e a cola com esse guri deve fazer um ducaraleo.


adiós, man.

Anônimo disse...

Gostei desse espaço!

Cristiany