Má água
em minha mágoa
som stéreo
Má água
em minha mágoa
amálgama
tudo que eu quero é dizer que não quero tudo. poesia, azia, o sonrisal derretendo como um poema belo de leminski. séquiço sexo sacro sagrado. grau. graal. a taça de beber o saber, e saber o sabor do saber. eu quero ficar velho e depois morrer, e nada de antes.























empregada que demora o mais que pode. Sabia. Ela vai dizer que o filho dela tá doente. Ela diz. Procuro o café, não fiz o café. Não tem café. Dois cigarros caídos no chão. Um sinal? Uma pista? Um ideograma chinês de I Ching sem referências bibliográficas. Ela chega. O filho dela que não está doente. Ela diz: doente, filho, sei sei sei sei sei. Subo na moto e o vento é o mesmo vento de ontem. moto-contínuo. Hoje? Ontem que era hoje? Que era ontem? Que foi? Foi foi foi foi. Nas histórias basta se beliscar. Não. Não vou me beliscar. Não vou beliscar nada. Acordo do transe transido de medo sem saber. Acordo e leio na conta de energia o meu nome. De ontem. Da semana passada. Do vinho morno e bom. Da ressaca dolorida e faminta. Faz sol. Falta sol. Falta chuva na chuva que cai aos borbotões. Uma lagartixa ignora o aguaceiro e arrisca uma cabeça balançante no tronco da mangueira. Seis peixes em silêncio no aquário. De ontem. Do mês passado. Do ano que vem. Eu vi a marca do corpo no outro lado da cama. Quem dormiu? Quem trepou? Quem saiu antes? Porque? Talvez a falta de grana. Talvez a falta de tato. Talvez a falta de tezão. O cheiro. Teve sexo. Teve putaria. Um livro de pernas abertas. Página duzentos e vinte e um. Quem leu durante. Eu? Ela? Ontem? Semana passada? Dois anos depois? Um filme na televisão. Hommer simpsom come a primeira dama dos estados unidos. No jornal bombas caseiras jogadas em cassinos de atlantic city. Na memória galos de briga em quintais cheios de minhoca de santana do cariri. Ontem. Mil novecentos e setenta. Sem dúvida estou dormindo. Com dúvida. Um cheiro acre de cebola. Vômito. Uma mulher que nunca vi se entranhando nas minhas memórias cheias de falhas. Alho. Alho. Caralho.








ida em que também a sinto. E retalio. As vezes com força desnecessária, as vezes sem força nenhuma. A dor e eu temos uma convivência – se não pacífica – pelo menos honrosa. A dor, que vem abraçada com o espanto e que deixa em minha porta sua filha macilenta e chorona: tristeza. Tristessa beat. Arma de matar retardados e retardatários. Ouço na cabeça um pedaço do doors: “the end”. É verdade, o final será sempre o final. Não existe: “e se eu...”. não existe sansão sem dalila. Nem a dama será dama sem o vagabundo vira-latas que late sorridente como só conseguem os cachorros de roberto carlos. Descubro bem devagar os panos que cobrem os velhos móveis. Dentro de mim uma poeira de muito tempo. Sei dos riscos. Ninguém entra em uma caverna imaginando o que tem dentro. A adrenalina corre nas veias. Célere. E o gosto esquisito de nada sobe em direção a língua. Uma onça? Um dragão? O bicho papão? Eu. Coberto pelos panos. Eu. Coberto pela poeira de erros e acertos. Eu. Me engolindo e vomitando sempre na esperança do novo. Ovo. O novo sem espanto. A ave que sai depois de quebrar cada pedaço desnecessário do escudo protetor. Do medo. Não. Eu não estou velho. São meus olhos que se gastaram olhando para um sol que nunca se deu todo. Não, eu não estou ficando louco. Escuto chuck berry cantando Carol. Uma guitarra primal, veloz e limpa. Sei menos hoje do que sabia ontem. E o que não sei é a mola que me joga. Que não me deixa parado. Rock is rolling.
FLAGRANTE E DO BOM DIA DOS DEDOS DUROS E DAS MENTIRAS DISCRETAS CHET BAKER LIGA O RÁDIO GIRA O DIAL CAETANO VELOSO TREME A VOZ EM UM INGLÊS ABAIANADO CHET CHAMA JANIS.






